Amélia na guerra

domingo, 19 de outubro de 2014

   Ás vezes nascemos com pessoas já pré-determinadas a fazer da nossa vida um inferno pessoal. Eu juro que procurei mil razões para que as coisas fosse assim. "Karma", "história de outra vida", poderia ser tudo e mais um pouco, mas nada explica a determinação da pessoa com essas atitudes que me machucaram tanto durante tantos anos.
   Eu nunca revidei, eu nunca gritei, eu nunca fiz nada radical para acabar. Eu sempre acabava com a cabeça baixa, guardando tudo, engolindo tudo. Não valia a pena me rebelar, eu sabia. Enquanto isso eu só me afastava, de todo mundo. Eu me isolei no meu mundo particular, pois não queria que mais ninguém me fizesse todo aquele mal.
   E com o passar do tempo as coisas só pioraram, bastava que eu desse um movimento em falso para que toda aquele sofrimento voltasse. E voltou pior do que um dia foi. Mas ninguém entendia, como aquilo me fazia mal, sempre dizendo "Mantém a calma, um dia passa", passa? Só piora!
   Quando eu comecei a entender as coisas, como as brigas desnecessárias e todas as coisas que eu ouvi que me magoaram, tudo gerou um enorme rombo na minha vida, eu estava em transição. Eu ouvia e não comia, não dormia, mal vivia. Ninguém via. Eu estava sozinha naquela guerra, e eu estava desarmada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário